Receber o diagnóstico de câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, costuma trazer muitas dúvidas. Uma das principais é: será necessário retirar parte ou todo o estômago?
A resposta depende de vários fatores.
A localização do tumor, seu tamanho, a profundidade com que ele invadiu a parede do estômago, o comprometimento dos linfonodos e a presença ou não de doença em outros órgãos são algumas das informações consideradas para definir o tratamento.
Quando o câncer de estômago está localizado e pode ser removido, a cirurgia é uma das principais formas de tratamento. Dependendo das características do tumor, pode ser indicada a retirada de apenas uma parte do estômago ou de todo o órgão. Governo Federal
Por isso, a indicação de uma gastrectomia parcial ou total não é feita de maneira automática. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
O que é a cirurgia para câncer de estômago?
A cirurgia para retirada do estômago é chamada de gastrectomia.
Quando apenas uma parte do órgão é retirada, temos uma gastrectomia parcial ou subtotal.
Quando é necessário retirar todo o estômago, o procedimento é chamado de gastrectomia total.
Além da retirada do tumor, a cirurgia oncológica do estômago geralmente envolve a avaliação e retirada dos linfonodos próximos à região, procedimento conhecido como linfadenectomia.
O objetivo é remover o tumor com margens adequadas e avaliar possíveis sinais de disseminação da doença.
Mas por que alguns pacientes retiram apenas uma parte enquanto outros precisam retirar todo o estômago?
A resposta está principalmente na localização e extensão do câncer.
Quando é possível retirar apenas uma parte do estômago?
A gastrectomia parcial pode ser indicada quando o tumor está localizado em uma região que permite sua retirada com margens de segurança, preservando uma parte saudável do estômago.
Essa possibilidade depende da localização do tumor e de sua extensão.
Por exemplo, tumores localizados na parte inferior do estômago podem, em determinadas situações, ser tratados com a retirada da porção comprometida, preservando o restante do órgão.
Essa abordagem pode permitir que o paciente continue utilizando parte do estômago após a cirurgia.
Entretanto, preservar parte do órgão só é possível quando isso não compromete o tratamento oncológico.
O objetivo principal da cirurgia não é simplesmente retirar o menor pedaço possível.
É retirar o câncer de maneira adequada e segura.
Quando é necessário retirar todo o estômago?
A gastrectomia total pode ser necessária quando o tumor ocupa uma área extensa do estômago ou está localizado de maneira que não seja possível retirar apenas uma parte mantendo margens adequadas.
Isso pode acontecer, por exemplo, em alguns tumores localizados na parte superior do estômago ou em tumores que se espalham por uma área extensa do órgão.
O tipo de cirurgia também pode depender da relação do tumor com a região de transição entre o estômago e o esôfago.
Em determinadas situações, retirar todo o estômago é a maneira mais adequada de garantir a remoção completa da doença.
O National Cancer Institute explica que a escolha entre gastrectomia subtotal e total depende, entre outros fatores, da localização do tumor e de quanto o estômago está comprometido.
O tamanho do tumor determina se o estômago inteiro será retirado?
Não necessariamente.
O tamanho é importante, mas não é o único fator considerado.
Um tumor relativamente pequeno pode estar localizado em uma região que torne necessária uma cirurgia mais extensa.
Da mesma forma, um tumor maior pode, dependendo da localização e de outras características, permitir uma gastrectomia parcial.
Por isso, não é possível determinar o tipo de cirurgia apenas olhando para o tamanho da lesão.
O médico precisa avaliar o tumor de maneira completa.
A localização do câncer de estômago é importante?
Muito.
O estômago possui diferentes regiões, e a localização do tumor influencia diretamente a escolha da cirurgia.
O câncer pode surgir, por exemplo:
- Na região mais próxima do esôfago;
- No corpo do estômago;
- Na região do antro;
- Próximo à saída do estômago, chamada de piloro.
Quando o tumor está localizado na parte inferior do estômago, pode ser possível realizar uma gastrectomia parcial em determinadas situações.
Já tumores que acometem a região superior, especialmente próximos à junção entre esôfago e estômago, podem exigir uma estratégia cirúrgica diferente.
Por isso, a localização precisa ser analisada nos exames antes da definição da operação.
Como é descoberto o câncer de estômago?
O principal exame para investigar o câncer gástrico é a endoscopia digestiva alta.
Durante o exame, o médico consegue visualizar o interior do esôfago, estômago e duodeno e, quando identifica uma alteração suspeita, pode realizar uma biópsia.
A análise desse material é fundamental para confirmar o diagnóstico.
Depois da confirmação, outros exames, como tomografia e, em situações específicas, ultrassonografia endoscópica, podem ser utilizados para avaliar a extensão da doença.
Essas informações são fundamentais para determinar se o tumor pode ser retirado e qual seria a melhor estratégia.
Todo câncer de estômago precisa de cirurgia?
Não.
A cirurgia é uma das principais formas de tratamento quando o câncer de estômago está localizado e é ressecável, mas nem todos os pacientes apresentam a mesma situação.
Em alguns casos iniciais e cuidadosamente selecionados, a lesão pode ser tratada por meio de um procedimento endoscópico, sem a necessidade de uma gastrectomia.
Já em tumores mais avançados localmente, a cirurgia pode fazer parte de um tratamento combinado com quimioterapia antes e/ou depois da operação.
Quando a doença já se espalhou para outros órgãos e não pode ser removida completamente, a estratégia de tratamento pode ser diferente, com foco no controle da doença e dos sintomas.
Por isso, antes de falar em retirada parcial ou total do estômago, é necessário entender exatamente qual é a situação do paciente.
O que é o tratamento antes da cirurgia?
Em alguns casos de câncer de estômago, o tratamento não começa diretamente pela cirurgia.
O paciente pode receber quimioterapia antes da operação.
Essa abordagem é chamada de quimioterapia neoadjuvante ou faz parte de um tratamento perioperatório.
O objetivo pode ser reduzir ou controlar a doença antes da cirurgia e tratar possíveis células cancerígenas que ainda não possam ser identificadas pelos exames.
Depois desse tratamento, o paciente é reavaliado para confirmar a possibilidade e o planejamento da cirurgia.
A escolha da estratégia depende do estágio da doença e das condições clínicas do paciente.
E depois da cirurgia?
Dependendo das características do tumor e do resultado da cirurgia, o tratamento pode continuar.
Alguns pacientes podem precisar de quimioterapia após a cirurgia, enquanto outras estratégias podem ser consideradas conforme o estágio e as características da doença.
Por isso, a gastrectomia não deve ser vista como uma etapa isolada.
O tratamento do câncer de estômago pode envolver diferentes fases, desde o diagnóstico e estadiamento até a cirurgia e o acompanhamento posterior.
O planejamento é feito de acordo com a resposta de cada paciente.
Como fica a alimentação depois de retirar parte do estômago?
Essa é uma das principais preocupações de quem recebe a indicação de gastrectomia.
A alimentação pode mudar depois da cirurgia, principalmente quando uma parte significativa ou todo o estômago é retirado.
Na gastrectomia total, o paciente passa a não ter mais o reservatório gástrico. O esôfago é conectado ao intestino delgado, permitindo que o alimento continue passando pelo sistema digestivo.
Por isso, a alimentação precisa ser adaptada.
Em muitos casos, o paciente passa a fazer refeições menores e mais frequentes.
O acompanhamento nutricional também é importante para ajudar na adaptação, preservar o peso e garantir uma ingestão adequada de nutrientes.
É possível viver sem o estômago?
Sim.
Embora a retirada total do estômago seja uma cirurgia de grande porte, é possível viver sem esse órgão.
Após a gastrectomia total, o sistema digestivo é reconstruído para permitir que o alimento passe do esôfago para o intestino delgado.
O organismo precisa de um período de adaptação, e a rotina alimentar pode precisar ser modificada.
Além disso, pacientes submetidos à gastrectomia total precisam de acompanhamento nutricional e podem necessitar de reposição de determinados nutrientes, como a vitamina B12, conforme avaliação médica.
Isso mostra por que o acompanhamento depois da cirurgia é tão importante quanto o próprio procedimento.
Quais são os sintomas do câncer de estômago?
O câncer de estômago pode apresentar sintomas pouco específicos, especialmente nas fases iniciais.
Entre os sinais que merecem investigação estão:
- Dor ou desconforto na parte superior do abdômen;
- Sensação de estômago cheio rapidamente;
- Perda de apetite;
- Perda de peso sem explicação;
- Náuseas;
- Vômitos;
- Indigestão persistente;
- Refluxo;
- Dificuldade para engolir;
- Sangramento ou anemia em algumas situações.
É importante lembrar que esses sintomas não significam necessariamente câncer.
Muitas outras doenças podem causar sintomas semelhantes.
Porém, quando são persistentes ou aparecem associados a outros sinais, é importante procurar avaliação médica.
O diagnóstico precoce pode evitar uma cirurgia maior?
Em alguns casos, o diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos extensos.
Alguns tumores gástricos muito iniciais e que atendem a critérios específicos podem ser retirados por técnicas endoscópicas.
Quando a cirurgia é necessária, identificar o câncer antes que ele avance também pode aumentar as possibilidades de tratamento com intenção curativa.
Por isso, alterações persistentes no aparelho digestivo não devem ser ignoradas.
Investigar os sintomas é uma forma importante de cuidar da saúde.
Câncer de estômago tem cura?
Em determinadas situações, sim.
A possibilidade de cura depende principalmente do estágio da doença, de sua localização, das características do tumor e da possibilidade de realizar um tratamento adequado.
Quando o câncer está localizado e pode ser completamente removido, a cirurgia pode ter intenção curativa.
Em tumores mais avançados, a combinação de cirurgia com outros tratamentos pode ser necessária.
Já quando existem metástases que não podem ser tratadas com intenção curativa, o objetivo pode passar a ser controlar a doença, aliviar sintomas e preservar a qualidade de vida.
Por isso, o diagnóstico de câncer de estômago não deve ser interpretado apenas pelo nome da doença.
É preciso conhecer o estágio e as características específicas de cada caso.
Retirar o estômago inteiro é sempre melhor do que retirar apenas uma parte?
Não.
A cirurgia mais extensa não significa necessariamente um tratamento melhor.
Quando é possível realizar uma gastrectomia parcial com margens adequadas e tratamento oncológico correto, preservar parte do estômago pode ser uma opção apropriada.
A gastrectomia total é indicada quando as características do tumor tornam necessária a retirada de todo o órgão.
O princípio é sempre o mesmo: tratar o câncer de forma adequada, retirando a doença com segurança e preservando o máximo possível das estruturas que podem ser mantidas sem comprometer o tratamento.
A escolha precisa ser individualizada.
A cirurgia pode retirar também os linfonodos?
Sim.
No tratamento cirúrgico do câncer de estômago, a retirada e avaliação dos linfonodos próximos ao tumor é uma parte importante do tratamento.
Isso ajuda a identificar se a doença alcançou essas estruturas e contribui para determinar o estágio do câncer.
A extensão da linfadenectomia depende do tipo de cirurgia e das características da doença.
Essa avaliação também auxilia na definição dos próximos passos do tratamento.
E se o câncer já tiver se espalhado?
Quando o câncer de estômago apresenta metástases, a cirurgia para retirar o estômago inteiro ou parte dele nem sempre é o principal tratamento.
Nessas situações, a equipe precisa avaliar a extensão da doença e definir qual estratégia oferece maior benefício ao paciente.
Podem ser utilizados tratamentos sistêmicos, como quimioterapia, terapias-alvo e imunoterapia em situações específicas, dependendo das características do tumor.
Em alguns casos, procedimentos ou cirurgias podem ser utilizados para controlar sintomas, como sangramento ou obstrução, mesmo quando a retirada completa do câncer não é possível.
O tratamento do câncer de estômago precisa ser planejado caso a caso
A decisão entre realizar uma gastrectomia parcial ou total depende de muito mais do que simplesmente saber que existe um tumor.
É necessário avaliar:
- Localização do tumor;
- Tamanho da lesão;
- Profundidade de invasão;
- Comprometimento dos linfonodos;
- Presença ou ausência de metástases;
- Condições clínicas do paciente;
- Possibilidade de retirar completamente o tumor;
- Necessidade de tratamentos antes ou depois da cirurgia.
Essas informações permitem construir uma estratégia de tratamento mais adequada.
Por isso, dois pacientes com câncer de estômago podem receber tratamentos completamente diferentes.
O mais importante é entender qual é o melhor tratamento para cada caso
A indicação de uma cirurgia para câncer de estômago pode gerar medo, principalmente quando existe a possibilidade de retirar parte ou todo o órgão.
Mas é importante entender que a extensão da cirurgia é definida de acordo com as características do tumor.
Quando é possível preservar parte do estômago sem comprometer o tratamento oncológico, essa possibilidade pode ser considerada.
Quando o tumor exige uma cirurgia mais extensa, a gastrectomia total pode ser necessária para oferecer o tratamento adequado.
Em ambos os casos, o objetivo é o mesmo: tratar o câncer da maneira mais segura e eficaz possível.
Câncer de estômago: a cirurgia é apenas uma parte do tratamento
O tratamento do câncer gástrico pode envolver cirurgia, quimioterapia e, em situações selecionadas, radioterapia ou outras terapias.
A sequência dessas etapas depende do estágio e das características do tumor.
Por isso, quando existe um diagnóstico de câncer de estômago, é importante buscar avaliação especializada antes de tomar qualquer decisão.
Entender o tipo de tumor, sua localização e sua extensão permite discutir com mais clareza quais são as opções disponíveis.
Dr. Ricardo Aurichio é especialista em cirurgia oncológica e atua no tratamento de tumores do aparelho digestivo, oferecendo uma avaliação individualizada para cada paciente.
O cuidado começa muito antes da cirurgia: começa na escuta, na investigação adequada e na escolha consciente do melhor caminho para cada caso.
Dr. Ricardo Aurichio
CRM 25806 PR | RQE 1824 | RQE 17941
Para saber mais sobre câncer de intestino, cirurgia oncológica, prevenção e tratamento, acompanhe os conteúdos do Dr. Ricardo.