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Metástase no fígado: quando o câncer pode ser tratado com cirurgia? 

21/10/2026

Metástase no fígado: quando o câncer pode ser tratado com cirurgia? 

Receber a notícia de que um câncer se espalhou para o fígado pode causar muitas dúvidas e, principalmente, a sensação de que não existem mais possibilidades de tratamento. 

Mas o diagnóstico de metástase no fígado não significa, necessariamente, que a cirurgia deixou de ser uma opção. 

Em alguns pacientes, quando as metástases hepáticas podem ser completamente removidas ou tratadas de forma adequada, a cirurgia pode fazer parte de uma estratégia com intenção de controle prolongado da doença e, em casos selecionados, de tratamento potencialmente curativo.

Por isso, quando existe câncer com metástase no fígado, é fundamental avaliar cada caso individualmente. 

O que significa ter uma metástase no fígado? 

A metástase acontece quando células de um câncer que começou em outro órgão se espalham para uma região diferente do corpo. 

Quando um câncer de intestino, por exemplo, se espalha para o fígado, estamos diante de uma metástase hepática de câncer colorretal. 

O fígado é um dos órgãos mais frequentemente envolvidos nas metástases do câncer colorretal. 

Mas as metástases hepáticas também podem acontecer a partir de outros tipos de câncer. 

Por isso, antes de definir qualquer tratamento, é necessário saber qual é o câncer de origem, quantas lesões existem no fígado, onde elas estão localizadas e se existem outros locais de doença. 

Metástase no fígado pode ser operada? 

Em alguns casos, sim. 

A possibilidade de realizar uma cirurgia para metástase no fígado depende principalmente de ser possível retirar todas as lesões relevantes sem comprometer de forma inadequada a quantidade e a função do fígado que permanecerá. 

Na avaliação da possibilidade de cirurgia, a equipe considera fatores como: 

  • Número de metástases; 
  • Tamanho das lesões; 
  • Localização dos tumores dentro do fígado; 
  • Relação das lesões com vasos sanguíneos e estruturas biliares; 
  • Presença ou ausência de doença em outros órgãos; 
  • Condições clínicas do paciente; 
  • Quantidade de fígado saudável que permanecerá após a cirurgia. 

Esses fatores ajudam a determinar se a doença é ressecável, ou seja, se existe possibilidade técnica de remover as lesões com segurança e com princípios adequados de cirurgia oncológica.

Ter várias metástases significa que não pode fazer cirurgia? 

Não necessariamente. 

Durante muito tempo, o número de metástases era considerado um dos principais fatores para determinar se uma cirurgia seria possível. 

Hoje, a avaliação é mais individualizada. 

Mais importante do que simplesmente contar o número de lesões é entender onde elas estão localizadas e se é possível removê-las preservando uma quantidade suficiente de fígado saudável. 

Em determinados pacientes, mesmo com mais de uma metástase, pode existir possibilidade de tratamento cirúrgico. 

Por isso, a avaliação precisa ser feita a partir dos exames de imagem e da análise de uma equipe especializada. 

E se a metástase no fígado inicialmente não puder ser operada? 

Essa é uma situação importante. 

Uma metástase pode ser considerada inicialmente irressecável, mas isso não significa necessariamente que permanecerá assim. 

Em alguns pacientes, a quimioterapia para metástase hepática pode reduzir o tamanho das lesões ou controlar a doença de maneira que, posteriormente, uma cirurgia possa ser considerada. 

Esse processo é chamado de conversão para ressecabilidade. 

O National Cancer Institute destaca que algumas metástases hepáticas inicialmente consideradas irressecáveis podem se tornar ressecáveis após uma boa resposta à quimioterapia.

Por isso, em determinadas situações, o tratamento pode acontecer em etapas. 

Primeiro, o paciente recebe tratamento sistêmico. 

Depois, os exames são repetidos para avaliar a resposta. 

Se houver uma redução adequada das lesões e condições técnicas favoráveis, a equipe pode reavaliar a possibilidade de cirurgia. 

A cirurgia pode retirar todas as metástases? 

Quando a cirurgia é indicada, o objetivo é remover as lesões de forma completa, preservando o máximo possível de fígado saudável. 

Dependendo da localização das metástases, podem ser utilizadas diferentes técnicas de ressecção hepática. 

Em alguns casos, é possível retirar apenas uma pequena parte do fígado ao redor da lesão. 

Em outros, pode ser necessário retirar um segmento ou uma porção maior do órgão. 

A extensão da cirurgia depende principalmente da localização e da quantidade de doença. 

O objetivo não é simplesmente retirar “o máximo possível” do fígado. 

É necessário encontrar um equilíbrio entre retirar adequadamente a doença e preservar uma quantidade suficiente de fígado funcional. 

É possível operar o fígado mais de uma vez? 

Em determinados pacientes, sim. 

A possibilidade de realizar uma nova cirurgia depende de vários fatores, incluindo a quantidade de fígado que permanece, a localização das novas lesões, o intervalo entre os tratamentos e as condições clínicas do paciente. 

Em casos selecionados, pacientes podem passar por diferentes estratégias cirúrgicas ao longo do tratamento. 

Isso reforça a importância de um planejamento individualizado e de acompanhamento especializado. 

E quando existem metástases em outros órgãos? 

A presença de doença fora do fígado não significa automaticamente que a cirurgia está descartada. 

A decisão depende de onde estão essas outras lesões, quantas existem, se podem ser tratadas e qual é o comportamento da doença. 

Em pacientes cuidadosamente selecionados, pode ser possível tratar a doença em mais de um local. 

Entretanto, quando existe uma doença metastática mais extensa ou que não pode ser completamente controlada por tratamentos locais, a estratégia pode priorizar tratamentos sistêmicos, como quimioterapia, terapias-alvo ou imunoterapia, dependendo do tipo de câncer e das características moleculares do tumor. 

Por isso, metástase no fígado não deve ser analisada de forma isolada. 

Quais exames são utilizados para avaliar a cirurgia? 

Antes de decidir se uma metástase hepática pode ser operada, é necessário realizar uma avaliação detalhada. 

Os exames de imagem têm papel fundamental nesse processo. 

Podem ser utilizados, de acordo com cada situação: 

  • Tomografia computadorizada; 
  • Ressonância magnética do fígado; 
  • PET-CT em situações específicas; 
  • Exames laboratoriais; 
  • Avaliação do tumor de origem; 
  • Exames para determinar o estágio da doença. 

A análise das imagens permite entender exatamente onde estão as lesões e sua relação com os vasos e outras estruturas do fígado. 

Essa avaliação ajuda o cirurgião a planejar a operação e determinar se existe uma possibilidade segura de ressecção. 

O tratamento pode envolver cirurgia e quimioterapia? 

Sim. 

O tratamento do câncer com metástase no fígado pode envolver diferentes estratégias combinadas. 

Dependendo do caso, a quimioterapia pode ser realizada antes da cirurgia, depois da cirurgia ou em diferentes momentos do tratamento. 

Quando a doença é inicialmente ressecável, a equipe pode discutir a melhor sequência entre tratamento sistêmico e cirurgia. 

Quando não é possível operar inicialmente, a quimioterapia pode ser utilizada para tentar controlar ou reduzir a doença e permitir uma nova avaliação posteriormente. 

Não existe uma sequência única para todos os pacientes. 

E quando a cirurgia não é possível? 

Mesmo quando a cirurgia não é indicada, existem outras possibilidades de tratamento. 

A escolha depende do tipo de câncer, extensão da doença, localização das metástases e condições do paciente. 

Podem ser considerados tratamentos como: 

  • Quimioterapia; 
  • Terapias-alvo; 
  • Imunoterapia, quando indicada; 
  • Ablação de tumores; 
  • Outras terapias locorregionais em situações específicas. 

A ablação de metástases hepáticas pode ser uma alternativa para alguns pacientes que não podem realizar uma ressecção convencional ou quando determinadas lesões são mais adequadas para essa abordagem.

O que é ablação de metástase hepática? 

A ablação é uma técnica utilizada para destruir células tumorais por meio de métodos locais. 

Entre as possibilidades está a ablação por radiofrequência, além de outras técnicas que podem ser consideradas de acordo com o caso. 

Ela pode ser utilizada principalmente em pacientes com determinadas características de doença, especialmente quando a cirurgia convencional não é a melhor opção. 

Assim como acontece com a cirurgia, a indicação depende da localização, tamanho e quantidade das lesões. 

Metástase no fígado significa câncer em estágio avançado? 

Quando um câncer se espalha para outro órgão, ele é considerado uma doença metastática, geralmente classificada como estágio IV. 

Mas estágio IV não significa que todos os pacientes tenham a mesma situação ou o mesmo prognóstico. 

Existe uma grande diferença entre uma doença metastática limitada ao fígado e uma doença que se espalhou para diversos órgãos e não pode ser controlada por tratamentos locais. 

Por isso, o estágio precisa ser interpretado junto com as características específicas da doença. 

A cirurgia pode ter intenção curativa? 

Em pacientes cuidadosamente selecionados, sim. 

Quando as metástases hepáticas podem ser completamente removidas e não existem outras doenças que impeçam o controle adequado do câncer, a cirurgia pode fazer parte de uma estratégia com potencial curativo. 

O NCI aponta que a ressecção das metástases hepáticas pode oferecer possibilidade de cura em pacientes selecionados, especialmente quando a doença é ressecável.

Isso não significa que a cirurgia seja indicada para todos os pacientes com metástase no fígado. 

A possibilidade de tratamento com intenção curativa precisa ser avaliada individualmente. 

O câncer pode voltar depois da cirurgia? 

Sim. 

Mesmo quando todas as lesões identificadas são retiradas, existe possibilidade de o câncer retornar. 

Por isso, a cirurgia não significa o fim do acompanhamento. 

O paciente precisa continuar realizando consultas e exames de acompanhamento para identificar possíveis alterações o mais cedo possível. 

Se novas lesões aparecerem, a equipe pode avaliar novamente as possibilidades de tratamento. 

Em alguns pacientes, inclusive, uma nova cirurgia ou outro tratamento local pode ser considerado. 

Por que o planejamento precisa ser individualizado? 

Não existe uma regra simples como “uma metástase pode operar” ou “mais de uma metástase não pode operar”. 

A decisão é muito mais complexa. 

Dois pacientes podem apresentar o mesmo número de lesões no fígado e, ainda assim, ter possibilidades de tratamento completamente diferentes. 

Isso acontece porque a localização das lesões, a relação com os vasos, a quantidade de fígado saudável e a presença de doença em outros órgãos podem mudar completamente o planejamento. 

Por isso, a avaliação da ressecabilidade das metástases hepáticas deve envolver profissionais especializados e, quando necessário, uma discussão multidisciplinar.

Receber o diagnóstico de metástase não significa perder todas as possibilidades 

O diagnóstico de uma metástase no fígado é sério e precisa de uma avaliação especializada. 

Mas é importante saber que existem diferentes estratégias de tratamento. 

Em alguns pacientes, a cirurgia pode ser indicada. 

Em outros, o tratamento começa com quimioterapia para tentar reduzir a doença e possibilitar uma cirurgia posteriormente. 

Também existem situações em que técnicas como a ablação podem fazer parte do tratamento. 

O mais importante é não assumir que a doença é “inoperável” apenas pelo diagnóstico de metástase. 

É necessário avaliar os exames, entender a extensão da doença e analisar as possibilidades individualmente. 

Metástase no fígado: cada caso precisa ser avaliado de forma única 

A decisão sobre quando a metástase no fígado pode ser tratada com cirurgia depende de uma série de fatores. 

Número e localização das lesões, relação com vasos sanguíneos, quantidade de fígado saudável, presença de doença em outros órgãos, resposta à quimioterapia e condições clínicas do paciente são alguns dos elementos considerados. 

Por isso, o tratamento deve ser planejado por uma equipe especializada em oncologia e cirurgia oncológica. 

Quanto mais precisa for a avaliação, maior a possibilidade de identificar todas as alternativas disponíveis para aquele paciente. 

Dr. Ricardo Aurichio é especialista em cirurgia oncológica e atua no tratamento de tumores do aparelho digestivo, oferecendo uma avaliação individualizada para cada paciente. 

O cuidado começa muito antes da cirurgia: começa na escuta, na investigação adequada e na escolha consciente do melhor caminho para cada caso. 

Dr. Ricardo Aurichio 

CRM 25806 PR | RQE 1824 | RQE 17941 

Para saber mais sobre câncer de intestino, cirurgia oncológica, prevenção e tratamento, acompanhe os conteúdos do Dr. Ricardo. 

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