Rua Amazonas, 30 · Estrela · Ponta Grossa · PRCRM-PR 25806 · RQE 1824 · RQE 17941WhatsApp (42) 99914-1161
Início / Artigos / Reto Reto · Artigo

Câncer de reto: quais são as opções de tratamento antes da cirurgia?

Receber o diagnóstico de câncer de reto pode trazer muitas dúvidas. Uma das mais comuns é: se existe um tumor, por que não fazer a cirurgia imediatamente?

Escrito por Dr. Ricardo Aurichio, cirurgião oncológico, CRM-PR 25806Publicado em
Câncer de reto: quais são as opções de tratamento antes da cirurgia?

Em alguns casos, a cirurgia realmente é o primeiro passo. Porém, dependendo do estágio e das características do tumor, o tratamento pode começar antes da cirurgia.

Essa estratégia é chamada de tratamento neoadjuvante e pode envolver radioterapia, quimioterapia ou uma combinação dessas abordagens.

O objetivo é tratar a doença de forma mais completa e preparar o paciente para a cirurgia, quando ela for indicada.

Por isso, entender quais são as opções de tratamento para o câncer de reto antes da cirurgia é importante para compreender por que o tratamento pode seguir uma determinada sequência.

Por que tratar o câncer de reto antes da cirurgia?

O câncer de reto apresenta algumas particularidades em relação ao câncer localizado no cólon.

A região do reto fica próxima de estruturas importantes da pelve. Por isso, em determinados casos, retirar apenas o tumor pode não ser suficiente para garantir o melhor controle da doença.

Quando o tumor apresenta características que aumentam o risco de retorno da doença na região, o médico pode recomendar um tratamento antes da cirurgia.

A intenção pode ser diminuir o tamanho do tumor, controlar possíveis células cancerígenas que estejam ao redor da lesão e aumentar as chances de realizar uma cirurgia adequada.

Em alguns pacientes, o tratamento antes da cirurgia também pode aumentar a possibilidade de preservar o esfíncter anal, dependendo da localização e da resposta do tumor.

Mas é importante destacar: nem todo câncer de reto precisa de tratamento antes da cirurgia.

A decisão depende do estágio e das características específicas de cada caso.

O que é tratamento neoadjuvante?

O termo neoadjuvante é utilizado para definir o tratamento realizado antes da cirurgia.

No câncer de reto, esse tratamento pode envolver:

  • Radioterapia;
  • Quimioterapia;
  • Quimiorradioterapia, que combina quimioterapia e radioterapia;
  • Quimioterapia associada à radioterapia em diferentes sequências;
  • Em situações selecionadas, estratégias de tratamento sistêmico antes da cirurgia.

A escolha depende do estágio do câncer, localização do tumor, características observadas nos exames e condições clínicas do paciente.

O planejamento precisa ser individualizado.

Radioterapia antes da cirurgia para câncer de reto

A radioterapia para câncer de reto utiliza radiação para atingir as células tumorais na região onde o câncer está localizado.

Quando indicada antes da cirurgia, pode ajudar a reduzir o risco de o câncer retornar na pelve e pode diminuir o tamanho do tumor.

Existem diferentes formas de organizar a radioterapia antes da cirurgia.

Uma delas é a chamada radioterapia de curta duração, realizada em um período mais curto.

Outra estratégia é a radioterapia associada à quimioterapia, geralmente realizada durante algumas semanas.

A escolha entre essas opções depende da situação clínica e do planejamento definido pela equipe responsável pelo tratamento.

Quimioterapia antes da cirurgia

A quimioterapia para câncer de reto utiliza medicamentos que circulam pelo organismo para combater as células cancerígenas.

Quando utilizada antes da cirurgia, pode ter como objetivo tratar o tumor localizado e também atuar sobre possíveis células cancerígenas que ainda não possam ser identificadas pelos exames.

Em determinados pacientes, a quimioterapia pode ser administrada antes da cirurgia em associação ou não à radioterapia.

Essa estratégia faz parte de uma abordagem conhecida como terapia neoadjuvante total, ou TNT.

O que é terapia neoadjuvante total?

A terapia neoadjuvante total para câncer de reto consiste em realizar todo ou grande parte do tratamento sistêmico e da radioterapia antes da cirurgia.

Em vez de deixar parte da quimioterapia para depois da cirurgia, determinadas estratégias podem antecipar esses tratamentos.

A sequência pode variar.

O paciente pode receber primeiro a quimioterapia e depois a radioterapia, ou realizar a radioterapia e a quimioterapia em outra ordem, dependendo do planejamento.

Essa estratégia tem sido utilizada principalmente em pacientes com câncer de reto que apresentam maior risco de retorno da doença.

Além disso, realizar o tratamento sistêmico mais cedo pode permitir que o paciente receba todo o tratamento planejado antes de uma cirurgia.

Todo paciente com câncer de reto precisa fazer quimioterapia e radioterapia?

Não.

Essa é uma informação importante.

O tratamento do câncer de reto não é igual para todos os pacientes.

Alguns tumores apresentam características que permitem realizar a cirurgia inicialmente.

Outros podem precisar de radioterapia, quimioterapia ou da combinação das duas antes da cirurgia.

Em determinadas situações, principalmente quando o tumor é mais avançado localmente, o tratamento neoadjuvante pode ser recomendado.

Por isso, a decisão não deve ser baseada apenas no diagnóstico de câncer de reto.

É necessário conhecer o estágio e as características do tumor.

O estadiamento é fundamental para escolher o tratamento

Antes de definir o tratamento, o médico precisa entender a extensão da doença.

O estadiamento do câncer de reto utiliza informações de exames como ressonância magnética da pelve, tomografia, colonoscopia e análise da biópsia, entre outros exames quando necessários.

A ressonância magnética da pelve tem papel importante na avaliação do câncer de reto porque ajuda a analisar a extensão local do tumor e sua relação com estruturas próximas.

Essas informações ajudam a equipe médica a definir se o paciente pode ser encaminhado diretamente para cirurgia ou se é melhor realizar algum tratamento antes.

E depois do tratamento antes da cirurgia?

Depois que o paciente completa o tratamento neoadjuvante, é necessário realizar uma nova avaliação.

O objetivo é verificar como o tumor respondeu ao tratamento.

Exames de imagem e outras avaliações podem ser utilizados para analisar essa resposta.

Em seguida, a equipe define o próximo passo.

Para muitos pacientes, a cirurgia continua sendo indicada.

Em situações específicas, entretanto, a resposta ao tratamento pode ser tão significativa que surge a possibilidade de discutir estratégias diferentes.

Essa decisão precisa ser tomada por uma equipe especializada e com acompanhamento cuidadoso.

O que significa resposta completa ao tratamento?

Em alguns pacientes, após a quimioterapia e a radioterapia, os exames podem não demonstrar mais sinais evidentes do tumor.

Isso é chamado de resposta clínica completa.

Quando isso acontece, existe uma estratégia conhecida como watch and wait, ou vigilância ativa.

Em vez de realizar imediatamente a cirurgia, o paciente é acompanhado de maneira muito próxima para verificar se o tumor realmente desapareceu e se permanece sem sinais de retorno.

Essa estratégia não é indicada para todos.

Ela depende de critérios específicos, de uma resposta clínica adequada e da possibilidade de realizar um acompanhamento rigoroso.

Caso sejam identificados sinais de persistência ou retorno do tumor, a cirurgia pode ser indicada.

É possível evitar a cirurgia no câncer de reto?

Em alguns pacientes cuidadosamente selecionados, sim.

Mas isso não significa que qualquer pessoa que responda bem à quimioterapia e à radioterapia possa simplesmente deixar de fazer a cirurgia.

A possibilidade de acompanhamento sem cirurgia depende de uma avaliação especializada e de uma resposta clínica completa.

É necessário acompanhamento frequente com exames e avaliações médicas.

Por isso, a estratégia de preservação do órgão deve ser discutida individualmente.

O tratamento antes da cirurgia pode diminuir o tumor?

Sim.

Uma das finalidades do tratamento neoadjuvante é justamente promover uma redução do tumor.

Quando existe uma boa resposta ao tratamento, o tumor pode diminuir de tamanho e ficar mais favorável para a cirurgia.

Em alguns casos, essa redução também pode contribuir para aumentar a possibilidade de preservar o esfíncter anal.

Entretanto, isso depende da localização inicial do tumor, de sua extensão e da resposta individual ao tratamento.

Não é possível garantir antecipadamente como cada tumor irá responder.

A cirurgia continua sendo importante?

Em muitos casos, sim.

O tratamento antes da cirurgia não significa necessariamente que a cirurgia deixou de ser necessária.

Quando indicada, a cirurgia tem como objetivo remover o tumor e os tecidos necessários para realizar o tratamento oncológico adequado.

A técnica cirúrgica depende da localização do câncer, da extensão da doença e de outros fatores.

Em alguns casos, pode ser possível utilizar técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia ou a cirurgia robótica, quando houver indicação.

A escolha da técnica deve sempre priorizar a segurança do paciente e os princípios da cirurgia oncológica.

O tratamento do câncer de reto precisa ser individualizado

Uma das principais características do tratamento do câncer de reto é a necessidade de planejamento.

Não basta identificar que existe um tumor.

É necessário compreender:

  • Onde exatamente está o tumor;
  • Qual é o tamanho da lesão;
  • Qual é a profundidade de invasão;
  • Se existem linfonodos comprometidos;
  • Se há sinais de doença em outros órgãos;
  • Qual é a relação do tumor com estruturas próximas;
  • Quais são as condições clínicas do paciente.

A partir dessas informações, a equipe pode definir a melhor sequência de tratamento.

Por que o tratamento precisa ser planejado por uma equipe especializada?

O tratamento do câncer de reto pode envolver diferentes profissionais.

Cirurgião oncológico, oncologista clínico, radioterapeuta, radiologista, patologista e outros profissionais podem participar das decisões.

Essa abordagem multidisciplinar permite avaliar a doença por diferentes perspectivas.

Em vez de decidir isoladamente se o paciente deve fazer cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, a equipe analisa qual sequência oferece a melhor estratégia para aquele caso.

O câncer de reto tem tratamento

O diagnóstico de câncer de reto não significa que todos os pacientes precisarão seguir o mesmo caminho.

Existem diferentes opções de tratamento, e a sequência pode variar conforme o estágio e as características do tumor.

Em alguns casos, a cirurgia pode ser realizada primeiro.

Em outros, o tratamento começa com quimioterapia, radioterapia ou uma combinação dessas terapias.

Para pacientes selecionados, estratégias como a terapia neoadjuvante total e a vigilância ativa após resposta clínica completa também podem ser consideradas.

O mais importante é que a decisão seja baseada em uma avaliação individualizada.

Quando procurar um especialista?

Diante de um diagnóstico de câncer de reto, é importante procurar uma equipe especializada para realizar o estadiamento e definir o planejamento do tratamento.

Não existe uma fórmula única.

O que funciona para um paciente pode não ser a melhor opção para outro.

Por isso, antes de pensar apenas na cirurgia, é necessário entender o comportamento do tumor e avaliar se existe indicação de tratamento neoadjuvante.

O planejamento adequado pode fazer parte de uma estratégia para aumentar o controle da doença e buscar o melhor resultado possível para o paciente.

Câncer de reto: cada etapa do tratamento tem um objetivo

O tratamento do câncer de reto pode envolver diferentes etapas.

Em alguns pacientes, a primeira etapa será a cirurgia.

Em outros, será necessário tratar o tumor antes da cirurgia com quimioterapia, radioterapia ou ambas.

A escolha depende do estágio da doença e das características de cada paciente.

Por isso, se você recebeu um diagnóstico de câncer de reto, converse com um especialista em cirurgia oncológica e procure entender todas as possibilidades antes de definir o tratamento.

O cuidado começa com um diagnóstico preciso, passa por um planejamento individualizado e segue durante todas as etapas do tratamento.

Dr. Ricardo Aurichio é especialista em cirurgia oncológica e atua no tratamento de tumores do aparelho digestivo, oferecendo uma avaliação individualizada para cada paciente.

O cuidado começa muito antes da cirurgia: começa na escuta, na investigação adequada e na escolha consciente do melhor caminho para cada caso.

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica.