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Início / Cirurgia robótica Robótica e oncologia digestiva

Cirurgia robótica: quando ela faz diferença

A cirurgia robótica é uma forma de cirurgia minimamente invasiva em que o cirurgião controla, de um console, braços com instrumentos articulados e uma câmera 3D. Ela é indicada quando o espaço é estreito e a precisão conta muito, como no reto, no esôfago e no pâncreas.

Braços do robô cirúrgico posicionados sobre a mesa de operação

Como funciona na prática

O paciente recebe anestesia geral, como em qualquer cirurgia grande. São feitas de quatro a seis pequenas incisões, de cerca de um centímetro, por onde entram a câmera e os instrumentos. Eu fico no console, dentro da mesma sala, a poucos metros da mesa. Outro cirurgião e a equipe de enfermagem ficam ao lado do paciente o tempo todo.

Cada movimento que faço com as mãos é reproduzido pelos instrumentos, em escala menor e sem o tremor natural da mão. A imagem é ampliada cerca de dez vezes e tem profundidade. Isso permite enxergar nervos, vasos e camadas de tecido com uma clareza que a cirurgia aberta não oferece.

Aberta, videolaparoscópica e robótica

As três técnicas seguem os mesmos princípios oncológicos: retirar o tumor com margem e os linfonodos da região. O que muda é o caminho até lá.

Cirurgia convencional

Aberta

AcessoUma incisão maior
VisãoDireta, a olho nu
InstrumentosMãos e pinças comuns
RecuperaçãoRecuperação mais longa
Espaços estreitosExige abertura ampla
Minimamente invasiva

Videolaparoscopia

Acesso4 a 6 incisões pequenas
VisãoCâmera 2D ampliada
InstrumentosPinças retas e longas
RecuperaçãoGeralmente mais rápida
Espaços estreitosMovimentos limitados
Minimamente invasiva

Robótica

Acesso4 a 6 incisões pequenas
VisãoCâmera 3D ampliada até 10 vezes
InstrumentosPinças articuladas, sem tremor
RecuperaçãoGeralmente mais rápida
Espaços estreitosMais precisão na pelve e no tórax

Os resultados variam de pessoa para pessoa e dependem do tumor, do estado de saúde e da extensão da cirurgia.

Onde uso a robótica

  • Reto. Na pelve estreita, ajuda a preservar nervos ligados à função urinária e sexual.
  • Cólon. Recuperação intestinal costuma ser mais rápida.
  • Esôfago. Facilita o tempo torácico, próximo a coração e pulmão.
  • Estômago. Precisão na retirada dos linfonodos ao redor dos vasos.
  • Pâncreas. Casos selecionados de pancreatectomia distal e alguns de Whipple.
  • Fígado. Ressecções de segmentos em posições favoráveis.
Dr. Ricardo Aurichio concentrado durante uma cirurgia
Cirurgia oncológica

Precisão para preservar o que importa.

Retirar o tumor com margem segura e manter nervos, vasos e funções do corpo. É esse equilíbrio que orienta a escolha da técnica em cada caso.

Quem pode fazer

A técnica é escolhida depois de entender a doença. Tumores muito grandes, cirurgias anteriores com muitas aderências ou algumas condições cardíacas e pulmonares podem tornar a cirurgia aberta a opção mais segura. Quando é esse o caso, explico o motivo na consulta.

A consulta é particular. Para a cirurgia, a cobertura pelos planos de saúde varia, e a equipe orienta sobre autorização e custos antes de qualquer agendamento.

Dúvidas frequentes

O robô opera sozinho?

Não. Ele só se move quando eu movo as mãos no console. Não existe programação automática de nenhuma etapa.

A cirurgia robótica cura mais?

A chance de cura depende do tipo e do estágio do tumor e da qualidade da cirurgia. A robótica é uma ferramenta para fazer bem a mesma operação, com recuperação geralmente mais confortável.

Quanto tempo fico internado?

Depende da cirurgia. Uma colectomia robótica costuma ter alta entre dois e quatro dias. Cirurgias de esôfago e pâncreas pedem mais tempo, em geral de uma a duas semanas.

Se durante a cirurgia algo não sair como planejado?

A conversão para cirurgia aberta é sempre uma possibilidade, e a equipe está preparada para ela. Converter é uma decisão de segurança. Ela é discutida com o paciente antes da operação.